João Paulo Tavares Papa (PSDB) é um dos sete candidatos
da Baixada Santista e Vale eleito Deputado.
O ex-prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa (PSDB), entre 2005 e 2012, estará em Brasília a partir de 2015. O ex-pemedebista conquistou, mais de 117 mil votos, e uma das 70 cadeiras na Câmara dos Deputados destinadas a São Paulo. Ele foi o 38º candidato mais votado no Estado de São Paulo, e o 18º da coligação PSDB-DEM-PPS.
Papa é divorciado, nasceu em 28 de julho de 1958 na cidade de Santos (SP). Seu currículo acadêmico é bastante recheado, formado em Pedagogia pela Faculdade Dom Domênico (1980) e Engenharia Elétrica pela Universidade Santa Cecília (1983), fez especialização em Administração Escolar, Orientação Educacional e Supervisão Escolar. Na área pública, sua trajetória começa em 1984 como engenheiro da Prefeitura de Santos. Em 1986, assumiu a direção do Departamento Municipal de Trânsito.
A partir de 1989, atuou no Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo e, entre 1991 e 1995, na Sabesp, como superintendente regional da Baixada Santista e do Litoral de São Paulo. Em 1997, assumiu a Secretaria de Meio Ambiente de Santos e, a partir de 1998, a presidência da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Foi eleito vice-prefeito em 2000. De 2001 a 2004 acumulou as funções de vice-prefeito e secretário municipal de Planejamento. Foi eleito prefeito em 2004 e reeleito em primeiro turno, em 2008, com 77 % dos votos. Terminou o mandato com 86% de aprovação popular. Entre 2013 e 2014, foi diretor de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente da Sabesp. Papa concedeu entrevista exclusiva ao jornal da Unip:
1) O Senhor acaba de ser eleito para um mandato de 04 anos, com certeza a Baixada Santista estará muito bem representada no Congresso. Quais serão as suas prioridades na busca de recursos financeiros?
Papa: "A Baixada Santista tem uma deficiência crônica na área da saúde, a nossa rede de saúde, principalmente na alta complexidade, ou seja, no atendimento hospitalar não está adequada para a população. E em algumas cidades essa deficiência é mais evidente, e claro causa um sofrimento maior. Especialmente em São Vicente a segunda cidade mais populosa da baixada, precisa ter mais estrutura em atendimento em hospitais e também na região sul, então eu vou trabalhar objetivamente para viabilizar um hospital em São Vicente e para que a ampliação do hospital existente em Itanhaém, seja acelerada e viabilizada. Com essas duas ações concluídas, nós vamos ter uma rede mais estruturada e equilibrada. O atendimento da saúde, tende a melhorar em todas as cidades. E na área da segurança pública, eu vou lutar no Congresso para que o Governo Federal crie novos instrumentos de combate a criminalidade".
2) Sabemos que a cidade de Santos, sempre foi bem provida de recursos estaduais e federais. O Sr. dará uma atenção maior às cidades da baixada, sobretudo as mais afastadas de Santos? Como Bertioga e Peruíbe.
Papa: "Essa é uma constatação que tem que fazer, há uma concentração de riqueza, mas uma riqueza em um sentido mais amplo. Um concentração de empresas, de negócios, de recursos movimentados, de geração de empregos que por sua vez geram mais tributos, uma concentração de riquezas em Santos. Essa concentração em comparação com as demais cidades, cria as condições que a cidade de Santos tem hoje, que é uma cidade bem provida de investimentos públicos, de serviços públicos, de infra-estrutura, de qualidade de vida. A baixada por outro lado, não tem a mesma condição, somos uma região muito desigual, há um evidente desequilíbrio econômico e que gera problemas de infra-estrutura, gera desequilíbrio social, gera um efeito que não é muito razoável não é muito adequado de movimentação diária de pessoas a Santos para trabalhar ou até estudar. A baixada santista, tem que ter um plano metropolitano de desenvolvimento econômico, e eu vou trabalhar por isso, e vou trabalhar no mandato objetivamente, procurando fortalecer os municípios que hoje tem menos alternativa, como Peruíbe, São Vicente, Guarujá e todas as cidades".
3) Qual a opinião do senhor do Sr. sobre a necessidade da reforma tributária no Brasil?
Papa: "É fundamental, eu sei que é difícil e o tanto que é difícil ela nunca foi feita até hoje, são quase 20 anos pregando a reforma tributária por todos os candidatos. Ela não veio até hoje porque não é algo fácil de ser feita, mas, a cada dia que passa fica mais urgente e determinante para a economia do Brasil. A nossa economia ela depende muito de comodes, que são produção agrícola, agropecuária, o campo basicamente sustentou e deu equilíbrio e sustentabilidade para a economia brasileira, mas há um setor que é fundamental para o presente e o futuro que é o setor produtivo, a industria que é o setor que faz transformação da matéria prima com produtos com valor agregado, é ai que um país cresce com mesmo, com vigor e a industria brasileira perdeu força, vem perdendo a cada ano, porque ela não é mais competitiva, ela perde de lavada pelos seus concorrentes internacionais em produtividade e preço final. A reforma tributária ela tem que ser ampla, ela tem que ser mesmo que cause algum sofrimento inicial, porque pode gerar uma redução momentânea de arrecadação, ela precisa ser feita é aquele passo que você tem que dar para poder se alinhar com o futuro que o mundo hoje exige. Embora eu não seja um especialista nessa matéria, vou estudar bastante tudo isso e vou defender sim no Congresso Federal uma aceleração possível tributária mais ampla.
4) Outra reforma muito discutida no Brasil é a reforma política. De que forma o Sr. analisa tal questão?
Papa: "Acho fundamental, fácil de ser feita, é um compromisso que todo e qualquer político hoje no quadro de crise até institucional e de credibilidade que a política brasileira vive, todos os parlamentares deveriam abraçar essa reforma no primeiro dia. Segunda questão na reforma política, o fim da reeleição a coincidência dos mandatos é algo que também gera que prejuízo? Zero. Ao contrário gera muita economia, o Brasil vive de eleições. Dois em dois anos nós estamos fazendo uma eleição. Um país em desenvolvimento como o nosso não pode se dar o luxo de gastar tanta energia, tanto dinheiro para se fazer eleições de dois em dois anos, isso não é necessário é um prejuízo. Pode se estender o mandato para cinco anos, para recompensar um pouco essa questão do fim da reeleição. Eu defendo também o fortalecimento dos partidos, para que as pessoas enxerguem nos partidos um sentido ideológico, uma linha de pensamento, hoje isso não acontece".
5) O Sr. obteve 117,590 mil votos, aproximadamente 85% vieram da região. Como o Sr. analisa o resultado?
Papa: "O resultado ele é decorrente da opção que eu fiz, estou feliz com a decisão não pelo fato de eu ter sido eleito, mas porque eu pude exercer coerência durante a campanha. 85% dos votos vieram daqui (Baixada Santista) os outros 15% que é surpreendente para mim, vieram de amigos ou parente que mora longe, ele faz lá a campanha para você e consegue 40 ou 50 votos, mas basicamente essa outra porcentagem vieram, de um segmento que eu atuo a muito tempo, que é o setor do saneamento que é a minha profissão, sou engenheiro e atuei muitos anos na área ambiental e sanitária, ele é um setor que tem muita carência no Brasil. Para você ter uma idéia 50% dos brasileiros não possuem rede coletora de esgotos, isso se reflete em péssimos índices de saúde, problemas de desenvolvimentos para essas regiões. É um setor que tem tudo por fazer. Essa votação que eu tive, vinda do setor de saneamento básico me oferece uma oportunidade e responsabilidade, eu terei que atuar dentro daquela visão de temas nacionais também com grande atenção nessa área.
6) Como o Sr. está se preparando para exercer o cargo no Legislativo?
Papa "Agora, isso é um mundo para mim. Eu nunca vivi uma experiência de legislativo. A minha experiência profissional de trinta anos, se deu toda no poder executivo, porém, eu sempre tive um perfil pessoal, de conciliador, exerci sempre aonde estive, a liderança que tive, enfim alguns segmentos sempre foi trabalhada na base do dialogo, do consenso, na busca de convergência, isso é da minha personalidade da minha natureza. Como executivo de Santos, eu sempre procurei ser um condutor do consenso na Câmara Federal não há outra opção, a câmara é um parlamento com 513 deputados, de culturas totalmente diferentes, o Brasil é um país continental, cada um seus problemas e necessidades e visões de mundos diferentes. E tenho que me preparar, são muitas regras, para poder organizar a movimentação de 513 parlamentares a quantidade de regras é impressionante. Agora eu estou estudando essas regras para quando chegar fevereiro eu esteja habituado a essa rotina.
7) Ao deixar o seu mandato de prefeito de Santos em 2012, segundo pesquisa realizada pela Enfoque Comunicações o Sr. obteve 86% de aprovação do Governo. Como o Sr. avalia o resultado?
Papa: "Eu fiquei muito feliz, na época não só eu mas a minha equipe toda, todos nós ficamos recompensados, pois a tendência de qualquer governo, ainda mais este de 08 anos é você aos poucos ir se desgastando aos poucos, eu fiz poucas mudanças no meu governo, inclusive de pessoas. O nosso governo teve uma característica muito especial, desde da primeira medição da avaliação de seis meses, até a última que foi essa no final do mandato, nós fomos sempre crescendo constantemente, não tivemos picos e nem quedas. A cidade gerou 40 mil novos empregos formais durante a minha gestão, 12 mil foram criados em um ato de governo na mudança da legislação tributária municipal. A outra questão a educação, eu dei total prioridade a essa pasta, eu sou professor, sou de uma família de educadores, e nós entregamos quase duas escolas novas e grande por ano. Foram quinze escolas próprias em oito anos, implantamos a educação em tempo integral, criamos um parque tecnológico que hoje dá origem uma reformulação no ensino técnico municipal. Um vez respondendo também a um jornalista, onde ele me perguntou como eu queria ser lembrado no futuro? eu disse mais ou menos assim: - Como um alguém que trabalhou muito, que se dedicou e cumpriu a sua responsabilidade e que não fez suas as conquistas da população santista. Um prefeito ele é uma parte importante do processo de desenvolvimento de uma cidade ou de um país, mas as conquistas são sempre da população e da sociedade.
8) Como foi governar a cidade de Santos? Quais as dificuldades?
Papa: "A primeira que eu acho que todo prefeito vive é a burocracia, para quem não vive o dia a dia de uma gestão municipal pode achar estranho, mas não, o Brasil tem tantas e tem que ter pois se trata de dinheiro público, mas tem tantas amarras e tantas regras burocráticas, que no fim metade do tempo é gasto com a própria máquina, burocracia, esse é um ponto difícil. O restante eu acho que a cidade de Santos me ajudou muito, eu tive mais ajuda e facilidades do que dificuldades".
9) Os santistas podem esperar a volta do Papa, na disputa eleitoral para a Prefeitura de Santos?
Papa: "Eu acho difícil, não impossível, pois na vida nada é impossível. Hoje o meu caminho, meu destino está e foi traçado pela decisão da população daqui de me colocar no parlamento. Alí há muito por fazer, as pessoas as vezes menosprezam o papel do parlamento no Brasil e nas cidades também, as mudanças a renovação de mentalidade que o país espera, deseja sempre dependerá muito de uma mudança de pensamento no parlamento que é muito conservador. Então a um papel a ser cumprido, e tenho que cumprir bem isso, se eu ficar exercendo essa atividade que é nova para mim e tanta responsabilidade com pensamento aqui na cidade, eu não cumpro lá o papel para o qual eu fui escolhido. Então não dá para pensar nisso nesse momento, e acho que há quadros muitos bons na cidade que possa indicar a renovação para a prefeitura".
Vitor Fernando Teixeira Pimentel