Polêmica em debate
Como em toda eleição,
os candidatos à presidência da república apresentaram opiniões divergentes em
diversos aspectos. Um ponto que chamou bastante atenção e
causou muita pôlemica durante os debates foi a questão da criminalização da
homofobia e seus "reflexos" perante a sociedade.
No dia 28 de
setembro, em debate realizado pela TV Record, quando a candidata Luciana Genro
(PSOL) questionou Levy Fidelix (PRTB) sobre o porquê os partidos que se colocam
em defesa a família ofereciam resistência ao casamento homo afetivo,
o candidato fez declarações que foram consideradas homofóbicas e chocaram todo
o Brasil.
"Tenho 62 anos,
pelo que eu vi na vida, dois iguais não fazem filho, e digo mais, desculpe, mas
aparelho excretor não reproduz.", disse Fidelix, o candidato continuou
afirmando não ter medo de perder os votos da comunidade LGBT.
O candidato do PRTB
ainda insinuou que a maioria (héteros) deveria se impor contra a minoria (gays,
lésbicas, bissexuais e trans) sem medo. Completou dizendo que se fosse eleito,
não iria estimular o casamento, mas se já estivesse na lei não iria interferir.
O empasse entre os
candidatos se estendeu durante a tréplica e tomou proporções que ultrapassaram
o fim do debate.
Protestos
Em tempo real a essas
declarações, através das redes sociais era possível ver a mobilização dos
eleitores. Muitos chocados, outros saiam em defesa de tais declarações. Dentre
eles, o cartunista Laerte Coutinho, que é transexual, publicou um desenho onde
a cabeça de Fidelix é trocada por uma latrina disparando a frase "
"Aparelho excretor não reproduz!". O tweet de Coutinho teve cerca de
1.733 retweets e 1012 curtidas. Também pela rede social Twitter, Silas Malafaia
saiu em defesa de Fidelix "(..) Estão reclamando do que, é a verdade
absoluta." endossou.
No dia seguinte ao
debate (29/09), um grupo organizou pelo Facebook, um Beijaço LGBT, que ocorreu
na terça - feira (30) na Avenida Paulista. Com o objetivo de protesto contra as
declarações de Levy Fidelix, chamar atenção para a criminalização da homofobia
e para o reconhecimento do casamento igualitário, cerca de 3 mil pessoas foram
as ruas da Paulista.
Repúdio dos outros
candidatos
Pouco tempo após o
fim do debate, Eduardo Jorge (PV), usou a rede social Twitter para se opor à
Fidelix. E afirmou, "(...) Hoje vocês viram o quanto é necessário uma
legislação que criminalize a homo/lésbio/transfobia, equiparando-as aos crimes
de racismo (crime hediondo segundo a legislação brasileira) né?"
Luciana Genro,
candidata do PSOL, e o deputado Jean Wyllys também do PSOL entraram com uma
representação no TSE, Luciana e Jean pedem para que Fidelix "seja
punido, nos termos da legislação eleitoral, por ter incitado o ódio e a
violência contra a população LGBT em seu pronunciamento no debate".Marina
Silva (PSB), Dilma Rouseff, candidata a reeleição pelo PT, Aécio Neves
(PSDB) também expressaram suas opiniões contra as declarações de Levy Fidelix.
Estatisticas.
No Brasil um homossexual é morto a cada 28 horas e milhares de
pessoas diariamente são vítimas de preconceito por causa de sua
orientação sexual. O país lidera o ranking mundial de mortes envolvendo gays,
lésbicas, bissexuais, transexuais de acordo com a pesquisa feita pelo ILCA
(International Lesbian and Gay Association).
Só no ano passado 312 gays, lésbicas e travestis foram assassinados no
Brasil, há uma crescente alta nos índices de crime de ódio em relação à
comunidade LGBT no país. Segundo dados de um relatório feito pela ONG
International Transgender Europe, entre janeiro de 2008 e abril de 2013, 486 transexuais
foram assassinados no Brasil.
Tatiane Martins
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