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sábado, 29 de novembro de 2014

Polêmica em debate, protestos, repúdio dos outros candidatos e estatísticas.

 Opinião dos presidenciáveis sobre o casamento homoafetivo e a criminalização da homofobia geram comoção entre a população.

Polêmica em debate

Como em toda eleição, os candidatos à presidência da república apresentaram opiniões divergentes em diversos aspectos. Um ponto que chamou bastante atenção e causou muita pôlemica durante os debates foi a questão da criminalização da homofobia e seus "reflexos" perante a sociedade.
No dia 28 de setembro, em debate realizado pela TV Record, quando a candidata Luciana Genro (PSOL) questionou Levy Fidelix (PRTB) sobre o porquê os partidos que se colocam em defesa a família ofereciam  resistência  ao casamento homo afetivo, o candidato fez declarações que foram consideradas homofóbicas e chocaram todo o Brasil.
"Tenho 62 anos, pelo que eu vi na vida, dois iguais não fazem filho, e digo mais, desculpe, mas aparelho excretor não reproduz.", disse Fidelix, o candidato continuou afirmando não ter medo de perder os votos da comunidade LGBT.  
O candidato do PRTB ainda insinuou que a maioria (héteros) deveria se impor contra a minoria (gays, lésbicas, bissexuais e trans) sem medo. Completou dizendo que se fosse eleito, não iria estimular o casamento, mas se já estivesse na lei não iria interferir.
O empasse entre os candidatos se estendeu durante a tréplica e tomou proporções que ultrapassaram o fim do debate.

Protestos

Em tempo real a essas declarações, através das redes sociais era possível ver a mobilização dos eleitores. Muitos chocados, outros saiam em defesa de tais declarações. Dentre eles, o cartunista Laerte Coutinho, que é transexual, publicou um desenho onde a cabeça de Fidelix é trocada por uma latrina disparando a frase " "Aparelho excretor não reproduz!". O tweet de Coutinho teve cerca de 1.733 retweets e 1012 curtidas. Também pela rede social Twitter, Silas Malafaia saiu em defesa de Fidelix "(..) Estão reclamando do que, é a verdade absoluta." endossou.
No dia seguinte ao debate (29/09), um grupo organizou pelo Facebook, um Beijaço LGBT, que ocorreu na terça - feira (30) na Avenida Paulista. Com o objetivo de protesto contra as declarações de Levy Fidelix, chamar atenção para a criminalização da homofobia e para o reconhecimento do casamento igualitário, cerca de 3 mil pessoas foram as ruas da Paulista.

Repúdio dos outros candidatos

Pouco tempo após o fim do debate, Eduardo Jorge (PV), usou a rede social Twitter para se opor à Fidelix. E afirmou, "(...) Hoje vocês viram o quanto é necessário uma legislação que criminalize a homo/lésbio/transfobia, equiparando-as aos crimes de racismo (crime hediondo segundo a legislação brasileira) né?"
Luciana Genro, candidata do PSOL, e o deputado Jean Wyllys também do PSOL entraram com uma representação no TSE, Luciana e Jean pedem para que Fidelix  "seja punido, nos termos da legislação eleitoral, por ter incitado o ódio e a violência contra a população LGBT em seu pronunciamento no debate".Marina Silva (PSB), Dilma Rouseff, candidata a reeleição pelo PT, Aécio Neves (PSDB) também expressaram suas opiniões contra as declarações de Levy Fidelix.

Estatisticas.

No Brasil um homossexual é morto a cada 28 horas e  milhares de pessoas diariamente são vítimas de preconceito  por causa de sua orientação sexual. O país lidera o ranking mundial de mortes envolvendo gays, lésbicas, bissexuais, transexuais de acordo com a pesquisa feita pelo ILCA (International Lesbian and Gay Association).
Só no ano passado 312 gays, lésbicas e travestis foram assassinados no Brasil, há uma crescente alta nos índices de crime de ódio em relação à comunidade LGBT no país. Segundo dados de um relatório feito pela ONG International Transgender Europe, entre janeiro de 2008 e abril de 2013, 486 transexuais foram assassinados no Brasil. 

Tatiane Martins

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