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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

“Eita Dona Neide, segura esse voto!”

Art. 1o A Lei 9.504, de 30 de setembro de 1997, passa a vigorar acrescida do seguinte artigo:"Art. 41-A. Ressalvado o disposto no art. 26 e seus incisos, constitui captação de sufrágio, vedada por esta Lei, o candidato doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição, inclusive, sob pena de multa de mil a cinqüenta mil Ufir, e cassação do registro ou do diploma, observado o procedimento previsto no art. 22 da Lei Complementar no 64, de 18 de maio de 1990."



Segundo a Lei 9.840/99 art. 41, a venda ou troca de votos é crime eleitoral. Mas você já parou para pensar em quantas pessoas vendem/compram votos desde a criação desta lei? Ou melhor, em quantos políticos usaram dinheiro público (sim, o meu, o seu, o nosso suado dinheiro!), deram aquela vaga na prefeitura da sua cidade, que você prestou concurso para conseguir mas, magicamente não havia vaga disponível ou até mesmo aquela creche recém construída, que não tem mais vaga antes mesmo de iniciar suas atividades.
O político do discurso feito chega em sua casa, lhe promete mundos e fundos, inclusive um emprego melhor, a creche para sue bebê ou um dinheiro a mais, tudo o que você tem que fazer é votar nele. Apenas isso e toma aqui duzentinhos para fazer as compras do mês, para pagar aquela conta de luz atrasada ou para fazer aquela moral com a comadre. Ou muito pior, o mesmo político, esse mesmo, o do discurso feito, ele vai (mesmo que morrendo de medo de por os seus sapatos caríssimos na lama) na comunidade no barraco da Dona Neide, mãe solteira de 7 filhos, todos pequenos com menos de 14 anos e a Dona Neide coitada, desempregada, não tem nada na dispensa, oferece uma ajuda de custo, creche para as crianças e “de quebra” um emprego de faxineira na prefeitura local, se ele for eleito claro. Ele até deixa um “jornalzinho” com suas proposta e blá, blá, blá, mas a Dona Neide não sabe ler, só assina seu nome e muito mal. Sem demora a placa de apoio em frente ao barraco já está a postos e todos na humilde residência de Dona Neide já sabem, no dia da eleição o número é 17.171!
É uma pena que Dona Neide não saiba, que nem o nome dela o tal político lembrara, quanto mais as promessas que fez a ela, ele até pediu para um de seus assessores, para que pegasse o número de título de eleitor junto a seu nome e endereço, só para que o estagiário faça um gráfico com o levantamento de votos comprados por região.
A eleição passou, o político sumiu por que não ganhou e a Dona Neide coitada, não recebeu nada. “Os meninos tão tudo na rua” disse ela ao repórter, agora Dona Neide inconformada com a situação de seu bairro reclama para a TV, por que com político ela sabe que não dá pra contar.



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